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E a mais nova entrevistada da Giovanna Ewbank, é Preta Gil. A atriz revelou que o hit "Eu Quero e Você Quer" da cantora é o favorito da pequena Titi! "Ela pede duas músicas quando entra no carro, 'Amor, Amor', é uma delas", contou.

No decorrer do papo, conversaram sobre os rótulos e limitações da sociedade, de separar as pessoas pelas suas características físicas: "gorda", "magra", "alta", "baixa", "negra" e por aí vai. Por conta disso, Ewbank perguntou em que momento Preta conseguiu passar por cima disso tudo e ser feliz do jeito que ela é."Foi quando eu tomei um choque de moralismo e preconceito logo que lancei meu primeiro disco Prêt-à Porter [em 2003]. Isso já tem 15 anos", contou a artista. De acordo com Preta, antes disso ela vivia 'no mundo de Alice'. "Eu tinha minha família, meus amigos, que me protegiam. Já tinha ouvido falar em racismo, preconceito e homofobia, mas nunca tinha vivido isso na pele.

"Mas quando lancei meu primeiro disco, que posei nua - não nua, vai seminua - foi um choque na sociedade. Mas pra mim, eu era tão bobinha, pensei: 'ai, eu quero fazer as fotos nuas, vamos fazer'. Senti que eu estava sendo eu, e que isso era natural. Afinal, sou filha do Tropicalismo, de atitudes muito mais transgressoras e de fato ousadas. E aquilo que eu estava fazendo não era uma atitude ousada."

Para Preta, a nudez do disco simbolizava o seu renascimento. Contudo, a repercussão negativa na época a deixou abalada. "Naquele primeiro momento, fiquei muito mal. Coloquei minha viola no saco, me recolhi, fiquei assustada, de verdade. Me perguntava 'Gente, que mundo é esse? Quem são essas pessoas? Quem sou eu? Onde eu estava para não enxergar isso? Como fui ingênua de achar que estava tudo certo?"

Depois, Preta conta que percebeu que ela não tinha feito nada de errado, que estava sendo ela mesma. "Artista tem essa liberdade. Não tenho esse pudor com o meu corpo. Eu acho que isso aqui tudo [disse apontando pro corpo] a terra vai comer um dia. Isso é passagem."
 

Após o choque do disco, Preta decidiu encarar a sociedade e, por consequência, "naturalmente" começou a levantar várias bandeiras e virar porta-voz de pessoas que se sentiam oprimidas e tristes porque não tinham representatividade. Hoje, a cantora sente que o movimento de empoderamento feminino cresceu nos últimos tempos, apesar de ainda estar "engatinhando".
 

A conversa também abordou a dificuldade que a Preta sentia no início da carreira de construir uma identidade como artista na sombra do seu pai Gilberto Gil, ícone do MPB. "Senti muito 'autopreconceito', O preconceito era meu. Isso foi tão forte que demorei anos pra me assumir como cantora. Comecei a cantar aos 28 e lancei meu primeiro disco aos 29", contou. Lembrando que Preta Gil completa 43 anos em agosto.

"Perdi muito tempo por conta dessas paranoias. Que bobagem, né?", continuou. De acordo com o vídeo, Preta começou a fazer aula de canto e teatro aos 16 anos. Pra ela, sempre soube que era uma artista, apesar de não ter coragem de seguir a profissão. "Meu pai conta: com cinco anos eu já fazia show em casa", revelou.

A cantora também contou que aos 17 se mudou apra São Paulo onde ficou 10 anos trabalhando com publicidade, eventualmente montando uma produtora "muito bem-sucedida." Contudo, Preta sentia que tentava abafar a alma de artista que sempre existiu nela. Segundo ela, vários famosos foram essenciais em estimulá-la a virar cantora. Entre eles Bruno Gagliasso e Ivete Sangalo, que inclusive cedeu seu estúdio para Preta gravar disco. "Ivete praticamente me trancou dentro do estúdio com a minha banda", brincou. "Fiquei três meses na casa dela", acrescentou.





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